CAPACIDADE DE REUSO DE EFLUENTES DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO NA BACIA HIDROGRÁFICA DO PARAÍBA DO SUL

  • Ana Silvia Pereira Santos Universidade do Estado do Rio de Janeiro - DESMA/UERJ.
  • Maíra Araújo de Mendonça Lima Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, UERJ.
  • Lauana Thaiara de Almeida Ramos Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, UERJ.
  • Celio Bartole Pereira Agência Nacional de Águas.
  • Sérgio Rodrigues Ayrimoraes Soares Agência Nacional de Águas.
  • Marília Carvalho de Melo Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, MG
Palavras-chave: Recursos hídricos. Tratamento de Esgoto. Reuso de Água. Efluentes.

Resumo

O reuso de efluentes de Estações de Tratamento de Esgotos - ETE já é prática comum em diversos países do mundo e, atualmente, vem se tornando mais frequente no Brasil. Essa prática visa minimizar os impactos decorrentes da escassez hídrica de forma a adotar a água de reuso para fins menos nobres, disponibilizando água bruta para usos nobres, como o abastecimento público. A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul vem passando por um elevado estresse hídrico desde o ano de 2014. Dessa forma, neste trabalho, foi realizada uma estimativa da capacidade disponível de reuso dos efluentes das ETEs inseridas no contexto dessa bacia, para fins de irrigação e uso agrícola. Para desenvolvimento do trabalho, foram adotados os dados levantados e apresentados no Atlas Esgotos – Despoluição de Bacias Hidrográficas, elaborado pela Agência Nacional de Águas – ANA e publicado em 2017. Assim, foi possível observar que atualmente existem 101 ETEs em operação, distribuídas em 41 municípios, dos 184 localizados na área da bacia. Dentre todas as ETEs estudadas, observou-se que a vazão de 917 L/s é proveniente de ETEs com grau primário ou primário avançado com eficiência de remoção de matéria orgânica inferior a 80% (Categoria 01); já a vazão de 3.373 L/s corresponde a um efluente do tipo secundário, proveniente de unidades com eficiências de remoção de matéria orgânica acima de 80% (Categoria 02); e 81 L/s correspondem a efluentes terciários que passaram por alguma etapa de desinfecção (Categoria 03). Assim, os efluentes da Categoria 02, devem passar por uma etapa de desinfecção para serem disponibilizados ao reuso e essa vazão representa aproximadamente 10% da demanda hídrica da bacia para o setor de irrigação. Já a vazão efluente da Categoria 03, teoricamente pronta para o reuso, representa somente 0,5% dessa demanda hídrica. Por fim, os efluentes da Categoria 01 necessitariam ainda de altos investimentos para sua adequação ao reuso, já adotam somente tecnologias primárias ou primárias avançadas em seus fluxogramas. Ressalta-se que no caso da Categoria 02, o reuso da totalidade desse efluente para a irrigação permitiria manter no rio Paraíba do Sul e seus afluentes uma vazão que atenderia uma população de aproximadamente 20 milhões de habitantes. 

Biografia do Autor

Ana Silvia Pereira Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - DESMA/UERJ.

Doutora em Engenharia Civil - Tecnologia de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos pela COPPE/UFRJ. Professora Adjunta do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - DESMA/UERJ.

Maíra Araújo de Mendonça Lima, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, UERJ.

Graduandas em Engenharia Ambiental e Sanitária da UERJ, bolsistas de iniciação científica.

Lauana Thaiara de Almeida Ramos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, UERJ.

Graduandas em Engenharia Ambiental e Sanitária da UERJ, bolsistas de iniciação científica.

Celio Bartole Pereira, Agência Nacional de Águas.

Doutor em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Agência Nacional de Águas.

Sérgio Rodrigues Ayrimoraes Soares, Agência Nacional de Águas.

Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade de Brasília. Gerente de estudos e levantamentos da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas.

Marília Carvalho de Melo, Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, MG

Doutora em Engenharia Civil pela COPPE/UFRJ. Diretora geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Docente e Coordenadora do Mestrado da Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, MG.

 

Publicado
2018-09-28
Seção
ARTIGOS