A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA NA SOCIEDADE DO CANSAÇO DO SÉCULO XXI

  • Francisco Antonio Vieira Cordeiro UNISUAM
  • Reis Friede UNISUAM
  • Maria Geralda de Miranda UNISUAM
Palavras-chave: SIMBOLOS, DOMINAÇÃO, SOCIEDADE, COMUNICAÇÃO

Resumo

Trata-se de uma narrativa e pesquisa bibliográfica sobre os conceitos de poder simbólico e violência simbólica para o filósofo francês, Pierre Bourdieu, que foi docente na École de Sociologie du Collège de France, confrontando com o conceito de sociedade do cansaço, do sul-coreano, radicado na Alemanha, Byung-Chul Han, filósofo e professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim. O artigo analisa esse poder praticamente imperceptível que se transmite por meio da comunicação e do discurso, mas que funciona como um instrumento político de manutenção das desigualdades sociais que são os instrumentos de coesão social para legitimar a dominação. O poder simbólico mascara uma violência invisível existente na sociedade pós-moderna do desempenho permissiva e pacífica, que induzem o indivíduo a se posicionar no espaço físico seguindo critérios e padrões do discurso dominante. Essa violência é exercida, em parte, com o consentimento de quem a sofre. A violência simbólica nem é percebida como violência, mas como uma espécie de interdição desenvolvida com base em um respeito que se exerce de um para com o outro. Nessa sociedade, o indivíduo perdeu a capacidade de mergulhar num ócio criativo e, em lugar da coação estranha, surge a auto coação, uma violência autogerada, que é mais fatal do que a outra, pois a vítima imagina ser alguém livre. A coação pelo desempenho força-o a produzir cada vez mais, sem alcançar um ponto de repouso. Ele está cansado, esgotado de si mesmo, de lutar consigo mesmo. A pressão exercida sobre o sujeito traz consigo o desenvolvimento de doenças neuronais como a depressão, o transtorno de déficit de atenção, a síndrome de hiperatividade e a síndrome de burnout, representando a paisagem patológica do começo do século XXI.

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Publicado
2018-12-06